Creative Labs JukeBox (Leitor multi-formato digital, portátil)

Introdução

Opinião

Resumo


1. Introdução

Creative Jukebox - um disco de 6 GB e um firmware actualizável!

Para quem gosta de ouvir música em movimento, os equipamentos com partes mecânicas móveis são um problema. Por exemplo, os walkman e até os alguns leitores de cassete para automóvel, podem não conseguir suster a velocidade da fita e garantir a sua não flutuação, sendo muito possível acontecerem situações de grave infidelidade sonora.

Nos piores casos, pode mesmo ficar comprometido o suporte da informação… e não se pense que isto é um exclusivo das cassetes de áudio, porque problemas equivalentes podem manifestar-se com discos ópticos, como CDs, DVDs e Mini-Discs.

A única solução para uma leitura isenta de problemas, motivados por violência mecânica externa, é a leitura que se faz a partir de um suporte sem partes móveis. Traduzindo isto para tecnologia comercial, o que é possível, é ter equipamentos que lêem para memória «sólida» a informação que representa a música.

Em concreto, por exemplo, há quase dois anos que se vendem os chamados MP3 players – dispositivos que lêem para uma memória volátil, música no formato digital MP3. Nesses aparelhos, a memória que dá suporte às músicas em MP3 é indiferente a «abanões» e assim não há risco de abruptidades. E há outras vantagens, como o menor consumo de energia (partes móveis são gulosas de electricidade), a ausência de desgaste pela utilização (os suportes magnéticos duram enquanto a respectiva película magnética durar) e o acesso é não sequencial (pode-se saltar para qualquer ponto da música, sem esperas).

O formato MP3, para música, tornou-se esmagadoramente popular, graças à qualidade aceitável que permite, com larguras de banda tão pequenas como 128 Kbps (um CD de áudio debita informação ao ritmo de 1411 Kbps). De notar que, só por si, a largura de banda (quantidade) não dita a qualidade – é como se utiliza a quantidade que determina os resultados.

Como em tudo, há compromissos a fazer. Nestas coisas da compressão de informação (por exemplo, 1411 Kbps transformados em 128 Kbps…) há que decidir se se vão perder dados (sim, MP3 perde dados) e como se vão «esmága-los» na nova representação, sendo que técnicas mais elaboradas / mais económicas, exigem normalmente mais esforço de computação, tanto no momento do esmagar (codificar), bem como na sua interpretação (descodificação). Há muitas balanças em jogo, e o formato MP3, na práctica, resulta aceitável em todas.

O que o MP3 conseguiu, ao longo dos últimos anos, foi um gigantesco número de utillizadores, pelo que se poderia julgar que teria o seu futuro assegurado, ao menos olhando para a históra dos suportes de informação. Mas as coisas estão a mudar e os milhões de utilizadores de MP3 não são os milhões de utilizadores nos quais se inspira quase toda a bibliografia sobre consumismo…

Os consumidores de MP3 são pessoas que não assumiram nenhum compromisso de casamento para com o formato, e às quais não custará dinheiro trocá-lo por algo que lhes pareça melhor. Vem isto a propósito de que produzir MP3-players pode ser um negócio arriscado, caso o formato caia em desgraça…

Bem, e a verdade é que é muito fácil um qualquer formato digital «cair em desgraça», ainda que às vezes não bastem as suas virtudes intrínsecas, e seja também necessária alguma promoção, ou Marketing, ou lavagem cerebral – chame-se-lhe o que ficar melhor, no contexto.

Em relação ao MP3, existe uma alternativa que permite mais qualidade, para as mesmas larguras de banda (principalmente a 128 Kbps), e que até exige menos esforço na codificação – trata-se do formato .RA (Real Audio, da Real Networks), que lentamente começa a convencer os utilizadores de música digital.

Mas também a Microsoft avança com competição: o .WMF (Windows Media File) permite agregar qualquer media, do vídeo ao texto estático, havendo ferramentas de produção gratuitas e exigindo-se um esforço de processador pouco significativo, para a electrónica dos dias que correm.

Por outras palavras, por vantajosa que seja a nova música digital, relativamente à música digital instituida, enfrentar-se-á sempre este «problema» da previsível desactualização de formatos, o que torna (aparentemente) muito delicada a comercialização de produtos dedicados.

Efectivamente, os MP3-players estão condenados. Terá chegado a vez dos RA players? Ou a vez dos WMF players? Bem, não chegou a vez de nenhum deles, porque a lição ficou aprendida…


2. Opinião

Detalhe da ficha de auscultadores e do botão de volume.

A solução está num aparelho que seja INDEPENDENTE dos formatos – um aparelho que possa ser actualizado, para suportar novos formatos, à medida que forem surgindo. Esse aparelho já existe e dá pelo nome de Creative Labs JukeBox (CL JB).

A JukeBox (ou Nomad 2) é vendida, e até publicitada pela própria Creative Labs, em função daquela que não é a sua característica maior: um disco rígido com 6 GB de capacidade (aproximadamente o equivalente a uma centena de CDs em MP3 @ 128 Kbps). Como já foi referido, o que realmente interessa na CL JB, é a possibilidade que existe de a actualizar – caso contrário, não passaria de um MP3-player gordíssimo.

As actualizações da CL JB não são mera teoria, e o firmware da máquina já foi actualizado para suportar o WMF, da Microsoft.

A CL JB é todavia um produto que, de certa forma, exige um computador pessoal. No limite, é possível utilizar a CL JB sem um PC, mas esse cenário não me merece mais referência, porque não tem interesse prático. A ideia é as pessoas produzirem conteúdos digitais no PC, e utilizarem a JukeBox para a sua fruição OU para o seu simples transporte – uma característica que ainda não está oficialmente suportada, mas que tem muito interesse, considerando que 6 GB de capacidade serão certamente úteis…

Para lá do firmware, a Creative Labs terá que actualizar com regularidade o software de interface com a JukeBox. Este software – hoje conhecido por PlayCenter 2 – permite transferir ficheiros reconhecidos de e para o computador. Há bugs, mas serão resolvidas – por exemplo, no meu sistema, nunca consegui transferir um ficheiro da JukeBox para o PC, embora tenha conseguido, sem problemas, o contrário.

Sendo, no fundo, um disco rígido com um controlador muito especial, a JukeBox da Creative parece violar uma das regras fundamentais para dispositivos portáteis, para música: a inexistência de partes móveis sensíveis ao choque… Afinal, um disco rígido é uma superfície sobre a qual – grosso modo – deslizam cabeças de leitura altamente precisas e delicadas…

Mas calma, porque, para lá de ser excepcionalmente resistente, este disco não deverá ser acedido durante a maior parte do tempo, uma vez que existe uma memória de 8 MB, que será efectivamente utilizada durante as leituras e as escritas.

Eis algumas características da CL JB:

- memória de 8 MB (DRAM);

- disco de 6 GB;

- suporta actualmente leitura de .WAV, .MP3 e .WMF;

- conexão ao computador, via cabo USB (fornecido);

- display LCD de 132 x 64, para navegação nos conteúdos do disco e escolha de algumas opções de funcionamento;

- duas saídas line-out, por ficha mini-jack, destinadas a dispositivos compatíveis, como auscultadores (fornecidos);

Algumas características com a capacidade de resposta em frequência (20 Hz – 20 kHz), estão na realidade dependentes da qualidade da música digital que se ouça.

Outra característica muito visível da CL JB é a utilização de tecnologia EAX (Environmental Audio Extensions), que é qualquer coisa que, no meu entender, não faz sentido neste aparelho, mas que sai de certeza muito barata à Creative, já que é propriedade sua (e propriedade de qualidade!). Não faz sentido, porque o EAX, na perspectiva do consumidor final, não é mais do que a possibilidade de mudar, em tempo real, o ambiente acústico da fruição: saltar por exemplo da «emulação» de um espaço com características de sala de estar, para um espaço que lembra um grande caverna… não me parece útil e não tem nada a ver com «respeito» ao original, mas é engraçado e poderá agradar a muita gente. O EAX tem todavia todo o interesse para aplicações de realidade ou imersão virtual, como «vídeo-jogos» (ou software-toys, como agora merecem ser chamados, tal a sofisticação a que chegaram).

O PlayCenter 2 é um programa «bonito», perfeitamente alinhado com as actuais tendências estéticas de design de interfaces para MS Windows, mas… infelizmente… não me deixou fazer algo que me parece fundamental, que é a transferência de ficheiros da CL JB, para o PC. Bug? Cegueira minha?

Os auscultadores da Jukebox.

Uma funcionalidade que me parece excelente, é a possibilidade de se controlar a velocidade do playback, entre 0.5x e 1.5x o ritmo original; quer dizer, tornar as coisas mais lentas, ou mais rápidas, consoante as necessidades do momento. Isto é algo que será adorado por todas as pessoas que têm o hábito de gravar conversas, mas que depois têm dificuldades em perceber algumas passagens.


3. Resumo

A Creative Labs JukeBox não é apenas um leitor de MP3 com a enorme capacidade de 6GB. É o primeiro digital player no qual faz sentido gastar dinheiro, por ser actualizável, ao ritmo que a dança dos formatos digitais ditar.

O software PlayCenter 2 merece revisão, mas é óbvio que há-de vir a agradar a Gregos & Troianos, para lá de que, caso o produto venha a ter grande sucesso comercial, hão-de surgir interfaces alternativas à oficial…

Esteticamente, a CL JB não merece reparos: é pequena e leve, funciona a pilhas recarregáveis (fornecidas), é à prova de modas futuras, tem EAX para quem apreciar, permite gravações, e a comunicação com o PC é muito rápida, via USB.

Como produto, a ideia é brilhante e só pode ser vivamente recomendado!