Denon UD-M30 + SC-M50
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UD-M30 - frente do aparelho.
As colunas Mission (sem grelha).
As colunas Mission (fichas de ligação). |
A Denon classifica o UD-M30 como um CD Receiver, mas este aparelho, para lá de integrar um leitor de CD-Áudio, e um sintonizador de bandas AM e FM, inclui ainda amplificação própria, pelo que basta juntar-lhe colunas de som, para se ter um sistema de som estéreo muito completo, com as dimensões discretas de um pequeno tijolo de construção civil, e com uma beleza futurista, que comunica uma robustez em tons de alumínio e dourado. Todos os equipamentos da série D-M30 partilham a mesma estética, a um extremo que os torna indistinguíveis, à observação menos atenta. Para lá do UD-M30, a que este artigo se refere, a Denon propõe o CDR-M30 (um gravador de CD-A), o DRR-M30 (um deck para cassetes analógicas), e o UD-M50 (um CD Receiver, com capacidade para três discos). Enquanto que o UD-M50 é forçosamente mais alto do que os restantes nipónicos, de forma a poder acolher três discos, todos os outros equipamentos exibem um painel frontal idêntico, quando muito com alterações nas etiquetas das teclas Efectivamente, todos D-M30 são módulos de 210 mm de largura, com uma gaveta para o media que suportam, um conjunto de teclas para navegação no meio, um botão de volume que controlará, consoante o aparelho, a atenuação do amplificador, ou o volume de gravação; e um outro conjunto de botões, para selecção da função activa (como sintonizador ou leitor de CD). A operação do UD-M30 é trivial, e a consulta do manual só será necessária, mesmo para os menos experientes, quando se quiser tirar pleno proveito do sintonizador de rádio, uma vez que o tuner integrado implementa um RDS (Radio Data System) completíssimo, com funções que não chegam a ser exploradas pelas emissoras portuguesas. O tuner deste nipónico é de grande
qualidade e de grande quantidade, pois, por exemplo, tem mais memória
do que os seus equivalentes, presentes em alguns AV Receivers de topo,
da mesma marca! Em concreto, este Denon tem capacidade para 40 sintonias,
e suporta plenamente emissões com informação PTY
(program type), RT (radio text), EON-TA (enhanced other networks traffic
announcement), e EON-PTY (enhanced other networks program type). É preciso ter algum "cuidado" com os modos de EON-TA e EON-PTY, pois eles significam que se está a autorizar o rádio a sintonizar automaticamente estações dentro da mesma rede, desde que cumpram o que se pede; isto é, que estejam a informar sobre o estado do trânsito automóvel, quando no modo EON-TA, ou a fazer uma emissão de um programa do tipo especificado, quando no modo EON-PTY (news, affaires, info, sport, educate, drama, culture, etc ). A mudança de frequência acontecerá apenas dentro de emissoras da mesma rede, mas isso poderá significar uma gravação estragada Claro que levar o RDS a este extremo não é habitual em Portugal, e, por isso, algumas das funções do tuner do UD-M30 não serão nem problema, nem solução
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O que mais me importou neste Denon foi o seu leitor de CD e
a qualidade com que a amplificação integrada o deu a ouvir, com
colunas SC-M50, que são umas caixinhas muito interessantes, produto da
engenharia Mission.
As SC-M50 são o casamento proposto para o UD-M30. É um casamento
que faz sentido, pois os noivos complementam-se nas dimensões e na qualidade
por unidade cúbica, conforme justificarei em "opinião".
Estas Mission são umas colunas de duas vias / dois altifalantes, com
uma abertura circular reflex frontal, capazes de responderem a partir dos 75
Hz de frequência.
O telecomando fornecido com este Denon foi concebido a pensar num sistema de módulos M30: é por isso que apresenta teclas para CD-R e Tape, e se organiza com uma lógica que faz sentido para as funções em que cada um desses módulos será especialista.
Na parte de trás do UD-M30, encontramos um par de fichas em mola, para ligação às colunas de som; uma saída pré-out, para quem quiser utilizar amplificação externa ou subwoofer(s), para encherem o substracto mais baixo do espectro sonoro, onde as SC-M50 não chegam; um par de entradas/saídas estéreo, com designações neutras Line1 e Line2, que poderão ser associadas a equipamentos M30 específicos, pelo setup do aparelho; uma saída digital óptica Toslink; fichas para as antenas AM e FM; e um par de fichas que são a ponte para o controlo remoto dos outros equipamentos da série.
Eis alguns números do UD-M30 e das SC-M50:
UD-M30
Dimensões (largura, altura, profundidade) mm. (201, 95, 325)
Amplitude FM 87.5 - 108.00 MHz
Amplitude AM 522 kHz - 1611 kHz
Potência por canal 20 W @ 6 Ohms
SC-M50
Dimensões (largura, altura, profundidade) mm. (240, 140, 200)
Impedância 6 Ohms
Potência de amplificação recomendada 20 W - 50 W
Resposta em frequência 75 Hz - 20 kHz
Embora não se trate de uma característica directamente relacionada com o seu desempenho áudio, a função de relógio do UD-M30 é muito interessante. O relógio interno do aparelho pode ser utilizado para se programar um activar/despertar diário, ao som do disco inserido na gaveta do leitor de CD, ou ao som da estação de rádio presente na frequência que se indicar; mas também pode ser utilizado para lançar eventos únicos (que não se repitam diariamente), e para determinar o momento de auto-desligar do aparelho. O único ponto menos positivo desta função é que o Denon não memoriza as temporizações, em caso de falha de electricidade.
Na práctica, a equipa UD-M30 + SC-M50, pretende ser uma solução competitiva para o problema do balanço entre estética, espaço e qualidade de desempenho. E como desempenha?
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Detalhe de algumas das fichas presentes.
A profundidade generosa do UD-M30.
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Suponho que entre a clientela mais provável para este sistema
Denon, se contem as pessoas que consomem muita música, mas que
não têm condições ou apetência para o
fazer com equipamentos full-sized. O critério de consumir "muita
música" é importante na suposição, pois
a quantidade (no sentido de diversidade) implica exigir-se polivalência
e robustez ao sistema. Polivalência, porque não encontro
outra palavra para medir a distância que vai desde Cranes a Mão
Morta; e robustez porque, sem mais meditação, se eu recuasse
um pouquinho no tempo, classificar-me-ia - enquanto estudante - nesse
grupo anónimo de potenciais consumidores, e faria uma utilização
quase rude dos Denon: muitas horas de actividade consecutiva, às
vezes a volumes de fruição pouco sensatos
Relativamente aos meus equipamentos de referência, as grandes limitações que se percebem nos UD-M30 + SC-M50, são anemias nas baixas frequências e nas pressões sonoras - nada que não se adivinha-se, ou que fosse possível de evitar, nas dimensões e com a tecnologia de materiais em causa. Aliás, talvez fosse legítimo esperar limitações mais sérias, como algum congestionamento na onda média, omissão regular de detalhes ínfimos e mesmo adulteração tonal, como não é raro de encontrar em soluções deste tamanho. É no respeito à tonalidade do original,
que está o que mais aprecio neste sistema Denon. O UD-M30 pode
ser ouvido com ajustes aos agudos e aos graves, mas também pode
ser ouvido em modo directo, que evita essa electrónica - e foi
assim que o ouvi a tempo (quase) inteiro. Existe ainda a possibilidade
de excitar os graves para lá do equilibrado (modo SDB = super dynamic
bass), de forma a garantir baixas frequências em audições
que aconteçam a volume muitíssimo discretos - o SBD deverá
estar desligado em circunstâncias normais.
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Parte da assinatura analítica da equipa Denon, e as limitações nos graves, podem ser muito eficazmente combatidas, com um subwoofer. Um bom subwoofer, como os Energy ou PSB de entrada, serão suficientes para equipararem este sistema a muitos conjuntos de tamanho completo, mas a verdade é que esse extra vai contra a economia de espaço que assumo como prioritária, neste caso. Será assim tão necessária essa aproximação? Não.
O rigor do UD-M30 e das SC-M50 é especialmente adequado a músicas com letras complexas: Einsturzende Neubauten, Water Boys, Mão Morta, Crosby and Nash, Suzanne Vega
A limitação nas baixas frequências não significa falta de energia nas músicas; significa antes uma dinâmica menor, por estar ausente o mais rasteiro dos substractos. A não ser que a composição seja extremada entre a alta e a baixa informação (Apocalyptica), o essencial permanece, e o proveito, ainda que mais ligeiro, não perde o sabor.
Quanto às pressões sonoras, é de elogiar a coerência do equipamento ao longo do curso de volume sensato (em 35 passos, no máximo). Há um limite, dependente do original, a partir do qual se sente que há um esforço pouco natural do sistema, que deixará emagrecer a onda média, para segurar os extremos, mas compete ao utilizador - como em qualquer outro hardware - ter sensibilidade para perceber onde começa o seu excesso.
O sintonizador de rádio é muito tolerante à intensidade do sinal e deverá permitir captações estéreo de qualidade, mesmo sem antena externa, com alguma facilidade. A fruição de emissões radiofónicas não merece reparo, mas sugere uma boa responsabilidade do leitor de CD, no rigor das fruições anteriores. As melhores sintonias FM (Antena 2 e Antena 3) ouviram-se mais calorosas do que o que antecipei.
A Denon propõe um mini-sistema composto pelo leitor
de CD + sintonizador AM / FM + amplificador estéreo UD-M30, e pelas colunas
SC-M50, projectadas pela Mission.
Esta equipa é sinónimo de coerência e rigor timbrico, e
qualidade na sintonia de rádio e na reprodução de CD-A.
Os palcos têm relevo e são muito informativos, mas não são
propriamente panorâmicos. As verdadeiras limitações são
a resposta em frequência (só a partir dos 75 Hz) e a pressão
sonora possível - afinal as eternas condicionantes nesta classe de equipamentos
Em termos relativos, esta proposta da Denon merece uma recomendação,
pois o seu desempenho, no intervalo de frequências em que a Física
dos materiais não a compromete a priori, é realmente muito bom!