Onkyo DR-90 (DVD Receiver)

Introdução

Opinião

Resumo


1. Introdução

Onkyo DR90 - um DVD Receiver. Esperemos que a moda pegue, que o DVD se massifique e que o preço do software se torne mais acessível.

Com menos de 500 empregados, a Onkyo Corporation consegue hoje manter em funcionamento um centro de investigação e uma "estação" de apoio ao cliente, após-venda. Claro que para lá destas estruturas, onde nascem e são suportados todos os equipamentos da marca de Osaka, existem ainda diversos núcleos estritamente comerciais, responsabilizados pela relação com as companhias "derivadas", ou afiliadas, como a Onkyo norte-americana.

É pois assinalável a eficácia do output desde japoneses, que estando longe da dimensão de alguns gigantes, conseguem propôr uma variedade impressionante de produtos, como receivers AV, decks MiniDisc, gravadores de CD, DVD changers, processadores DSP dedicados, amplificadores integrados, decks de cassete, colunas de som e até gira-discos... Na variedade da oferta Onkyo, encontram-se propostas relativamente invulgares, como o DR-90, que motiva este artigo...

O Onkyo DR-90, é algo que os catálogos descrevem como um DVD Player / Digital Surround Receiver, o que no fundo quer dizer que é uma solução altamente integrada para praticamente quase todas as necessidades que hoje emergem entre consumidores de software de áudio e de vídeo.

Em concreto, o DR-90 é, ou pode ser, um leitor de DVD, um sintonizador de rádio AM e FM, um amplificador estéreo, e um amplificador surround de 5 canais, capaz de descodificação Dolby ProLogic (DP), Dolby Digital (DD) e Digital Theater System (DTS). Tudo isto, num chassis que até é mais compacto do que muitas outras propostas da própria Onkyo.

Esta funcionalidade extrema do DR-90 é suportada por tecnologia de qualidade, como DACs de 96 kHz / 24 bits, e até Cinema Re-EQ, para evitar o excesso de presença / brilho, da informação sonora frontal em salas típicas. Não esquecer que numa sala de Cinema, as colunas de som frontais estão normalmente muito distantes dos espectadores, com uma tela de projecção em frente, a abafar parte dos agudos... pelo que quando o som de Cinema é directamente reproduzido no lar, poderá acontecer uma agressividade desagradável.

O software DVD já tem normalmente estas diferenças em consideração, e o consumidor doméstico não deverá ter problemas, mas para quando isso não acontecer, está disponível o Cinema Re-EQ. Positivo.

Algures no DR-90 um só circuito DSP é responsável pelas descodificações DTS e DD; tipicamente, a Onkyo recorre a um integrado da Cirrus Logic.

No DR-90 também há situações que são menos boas. Por exemplo, não estão disponíveis saídas pré-amplificadas para todos os canais da descodificação envolvente. Apenas estão contemplados o subwoofer e o canal central; isto significa que o utilizador do aparelho fica "condenado" a amplificação integrada na máquina, impossibilitado de se aventurar por alternativas, que seriam alimentadas pelas saídas pre-out que não existem. Esta limitação é todavia relativamente desprezável, uma vez que a filosofia do produto é precisamente a contrária, isto é, a de oferecer uma respostas integradíssima a diversas necessidades.

Uma situação não desprezável, são os terminais de coluna em mola, que obrigam desde logo à utilização de cabos com diâmetro compatível. Escreva-se que, apesar de tudo, entre estes terminais em mola e outros em rosca, não faço distinção práctica, uma vez que únicas ligações que acho realmente fáceis são as em "banana". É sempre traumático instalar cabo noutros cenários...

Para lá do modo de funcionamento estéreo, DP, DD e DTS, o DR-90 permite aquelas envolvências mais artificais, tão esmagadoramente populares nos primeiros anos do fenómeno AV... Desta feita, as acústicas dão pelo nome de Orchestra, Unplugged, Studio Mix, TV Logic e 5CH Stereo.

No campo da imagem, este Onkyo está bem servido. Não é só o processador vídeo DAC de 10 bits, mas também a possibilidade de input S-Video (S-VHS) e a presença de duas saídas dessas, para lá de outras tantas por terminal RCA (vídeo composto). Existe ainda um conector scart que implementa os pinos RGB, para a melhor qualidade de imagem possível, com televisores compatíveis.

Graças a uma facilidade conhecida por Enhanced Black Level Control, o utilizador pode ainda optar por ter negros mais negros, que é algo que resulta muito bem com alguns dispositivos de visualização, que sejam exemplares no "recorte".

No domínio do áudio digital, estão presentes duas entradas (óptica + coaxial) e uma saída (óptica).

O manual do DR90 documenta exemplarmente todas as ligações e funções do aparelho, que não se esgotam aqui, ou não estivesse presente o habitual rádio AM / FM, com RDS e memória para 30 estações.

O leitor de DVD suporta todos aqueles "luxos" associados ao Digital Versatile Disk para Vídeo, como legendagem, diversas possibilidades de procura, diversas velocidades de visualização (para trás e para a frente), possibilidade de legendagem e múltiplos ângulos de fruição... potencialidades estas que acabam por ser determinadas pelo software e não pelo hardware. Assim, opinar sobre o DR-90, vai ser, acima de tudo, uma questão de prestar atenção à qualidade da amplificação sonora integrada, uma vez que a margem de competição na descodificação digital do áudio e da imagem, é muito pequena, entre equipamentos do mesmo segmento.

Parece-me que o que faz a diferença entre estes género de máquinas, é a quantidade de funções e o desempenho das secções analógicas (imagem no dispositivo de visualização e som no ouvinte)...

  Onkyo DR-90

Amplificação envolvente

5 x 50 watts

Resposta em frequência dos amplificadores

20 Hz – 30 kHz

Resposta em frequência do DVD

4 Hz – 22 kHz @ 48 kHz de amostragem

4 Hz – 44 kHz @ 96 kHz de amostragem

Dimensões (largura, altura, profundidade)

(43.5, 14.5, 41.4) cm

Peso

10.8 kg


2. Opinião

DVD! Infelizmente, apenas região 2... mas há quem modifique...

Curiosamente, não comecei a minha fruição do DR-90 com nenhum DVD, mas antes com uma cassete de vídeo, com alguns episódios da série de TV Moonlighting, com Bruce Willis e Cybil Shepherd.

Eu adorava (adoro) Moonlighting, apesar de já no final da década de 1980, os seus episódios deliciosos serem empurrados para horários pouco compatíveis com o ritmo de vida da maior parte das pessoas. Aquilo que fica de Moonlighting, mesmo para quem nunca tenha seguido as aventuras do par de detectives, é uma banda sonora interessante e diálogos normalmente histéricos.

Fiz o DR-90 dar a ouvir Moonlighting em modo estéreo, tendo reparado, pela positiva, no contraste entre informações. Incomodou-me alguma falta de coesão entre os canais esquerdo e direito... que se explicará, ao menos em parte, pela idade da vídeo cassete... Ainda sob influência da série, e sem filmes com Cybil Shepherd em DVD, seleccionei Pulp Fiction (de Quentin Tarantino) e Twelve Monkeys (de Terry Gilliam), para ver "outro" Bruce Willis.

Pulp Fiction é uma comédia com alguma violência, sobre questões de honra entre bandidos. Suponho que sim. Hoje recordado, essencialmente, como o filme que confirmou Tarantino e salvou Travolta, numa perspectiva áudio, este marco de 1994 é interessante pelos frequentes momentos musicais, pela diversidade de personagens (diversidade de vozes), e pela dinâmica das situações, que oscilam do debate-quase-filosófico, aos assassinatos gratuitos.

Musicalmente, Pulp Fiction é realmente uma tomatada, com velhos sucessos da "cena surf" e trabalhos que só se tornariam populares, meses depois do próprio filme, como Girl, you'll be a woman soon, dos Urge Overkill. Para lá desta diversidade, há ainda a diversidade dos ambientes em que as músicas acontecem, e que variam do auto-rádio de algum automóvel, a leitores de fita magnética, com muitas pistas.

A naturalidade dos ambientes foi a indicação mais forte que o Onkyo DR-90 me transmitiu, em modo DD. A descodificação DD é muito precisa e a amplificação não ignora sons secundários no espaço, pelo que os cenários acústicos de fundo, para todas as sequências, resultam credíveis, constantes entre capítulos diferentes, e coerentes na intensidade e na dinâmica.

O DR-90 é um tanto homogéneo na amplificação, com consequências como a referida no parágrafo anterior, e outras, como alguma falta de vivacidade, a volumes modestos. É essencial "puxar pelo volume", para ouvirmos o DR-90 no seu melhor, espevitando as colunas de forma a que se ouça uma dimensão de profundidade; caso contrário, os recheios que é suposto erguerem entre os cenários elogiados, não terão o devido destaque.

Assim, as circunstâncias estritamente vocais, estritamente musicais e outras dedicadas, são as que mais agradam ao DR-90, que as reproduz com rigor no conteúdo, tempo e frequência, mas que vai exigir volumes razoáveis, para as posicionar devidamente, em profundidade, caso o áudio se torne mais complexo.

Twelve Monkeys é um filme menos agitado, menos diverso, mais contemporâneo, um tanto especializado em ambientes opressores, que não desvenda tão facilmente estas tendências do DR-90, mas que é exemplar para sentirmos a resolução Cyrrus Logic em detalhe, principalmente com os vociferares dos muitos pacientes da instituição mental que abriga James Colle (Willis) e Jeffrey Goines (Brad Pit).

O DR-90 fez um excelente uso do Energy ES-8, que agradeceu a saída pre-out para subwoofer. Parece-me importantíssimo utilizar um subwoofer de franca qualidade, como o Energy referido, pois, pela democraticidade da sua amplificação, o Onkyo não produzirá as baixas frequências mais interessantes, sem este complemento.

O processo de setup inicial, que se lança automaticamente da primeira vez que o aparelho é ligado, é muito importante. Basicamente, durante este processo, o utilizador dá indicação de como classifica as suas colunas instaladas, para cada canal (small / large), e de a quantos metros delas está posicionado. Para lá destas indicações, é possível ajustar individualmente a intensidade de cada canal, a partir do telecomando, pelo que um ouvinte disposto a investir tempo, vai colher um proveito valente, depois de descobrir os valores mais adequados ao seu sistema.

As diferenças podem ser mesmo impressionantes!, e às vezes talvez seja preferível dizer que a coluna central instalada é small, de forma a que as outras colunas presentes recebam mais informação de baixa frequência (graves). Aconselho fazê-lo, quando não houver subwoofer de qualidade.

O DR-90 é um tanto "seco". Isto nota-se principalmente em situações musicais: os instrumentos têm uma "esfera de actividade" modesta, pelo que quase não se somam com outros instrumentos, e não facilitam a ocorrência de situações "o todo é mais do que a soma das parte". Este é um Onkyo definitivamente mais interessado na verdade de cada ocorrência, do que nos eventos, como um todo.

Mas há consequências positivas, como um contraste facilitado e uma melhor adequação aos filmes de extrema acção.

O volume de audição do DR-90 tem um curso generoso, para ser explorado sem preconceitos. É frequente encontrarmos DVDs com diferentes níveis de intensidade áudio, e em alguns casos justificar-se-á completamente uma aventura para lá de meio curso, nem que seja para fazer despertar a resolução em profundidade.

Detalhe de algumas ligações oferecidas pelo DR-90.

Para terminar, uma referência à facilidade que é "viver" com um Onkyo DR-90: uma vez desembalado, é mesmo uma questão de pouquíssimos minutos, até nos lançarmos numa sessão AV! Mais do que isso, o equipamento reúne rigorosamente tudo o que se necessita, para usufruir do mundo do Home-Theater, exceptuando as colunas e os cabos...

Uma vez que o telecomando do Onkyo também controla qualquer televisor, é possível reduzir uma instalação para Cinema-em-Casa, ao trio DR-90 + televisor + colunas...


3. Resumo

O Onkyo DR-90 é uma proposta integradíssima de leitor de DVD, descodificador DP, DD e DTS, amplificação para até 5 colunas, e rádio AM / FM.

É sempre resoluto, verstátil e dinâmico, mas exige, de quando em vez, subwoofer e volumes razoáveis, para vencer uma certa modéstia nos graves e na espacialidade, relativamente a soluções que são as minhas referências.

Não me parece que seja possível simplificar mais o Cinema-em-Casa (só mesmo integrando o televisor e as colunas...), pelo que caso procure uma entrada trivial, robusta e de qualidade, vai encontrar resposta no DR-90.