PARADIGM REFERENCE STUDIO 100
A 26000 anos-luz de distância das suas colunas de som, na nossa galáxia - a Via-Láctea
- confirma-se a existência de um gigantesco buraco negro, um objecto tão concentrado,
tão denso, de uma massa tão elevada, que a força de atracção gravitacional que lhe
está associada, é suficiente para impedir e deformar a própria luz.
Teoriza-se que todas as galáxias terão um buraco-negro no seu centro, mas não há
provas científicas. Quanto em Janeiro de 1998, a American Astronomical Society se reuniu
em Washington, este assunto mereceu destaque, pelas intervenções de equipas de
investigação que, depois de anos de recolha e análise de dados, começam agora a estar
em condições de corroborar suspeitas...
O buraco-negro da Via-Láctea manifesta-se na constelação de Sagitário, quando
observado a partir do planeta Terra, e é apenas um dos fascínios que a Astronomia deste
fim de século prentende estudar exaustivamente. Entre outras, a teoria de que afinal o
Universo não está em contracção, e vai continuar a expandir-se para sempre, assegura
trabalho a gerações e gerações de estudiosos.
Vêm estes números, distâncias e realidades anómalas, a propósito das colunas de som
PARADIGM REFERENCE STUDIO 100 (PRS100), também elas tão diferentes, tão gigantes, tão
sem limites, que são caso muito próximo da singularidade, no universo do áudio
doméstico.
As PRS100 são umas grandes performers (115 cm de altura...), comercializadas a um preço
que deveria agitar todo o mercado, principalmente o das colunas bookshelf mais refinadas,
no seu segmento de preços. Quando alguém aposta em colunas monitoras de pequena
dimensão, mas extrema qualidade, fá-lo na convicção de que estar a comprar um
desempenho excepcional, limitado tão somente ao nível das baixas frequências, «as tais
que até são mais sensíveis do que audíveis», e, por consequência, menos relevantes
para a «verdade» da música. AS PRS100 são terríveis para quem faz fé nesta
atitude...
Estou abalado. Ouvir estas PARADIGM foi traumatizante, no melhor sentido! Sustenha-se o
suspense.
Outra peculiaridade do mercado áudio, é a «tendência consumista acessória»; isto é,
o consumidor prefere muitas vezes fazer aquisições com efeitos indirectos na qualidade
final do seu sistema de som, do que «atacar» os responsáveis primários; por exemplo,
não custa encontrar alguém que se preocupe mais com o suporte e cabos para o seu leitor
de CD, do que com o próprio leitor em si. E se é verdade que quase todos os acessórios
são potencialmente benéficos, não deixa de ser curiosa a lista de prioridades de muitos
consumidores.
As REFERENCE STUDIO 100 fazem-se acompanhar de espigões e bases douradas circulares, para
suporte, com um aspecto tão requintado, que se adivinha a possibilidade de os
comercializar independentemente... enquanto acessórios. Até neste aspecto estas PARADIGM
são agressivas!, fazendo a prova mais cabal de que, efectivamente, «é o consumidor
final quem mais importa», como aliás escreve a própria Tertúlia, áudio clube.
As PRS100 são pois umas belíssimas torres, com três vias sonoras, reproduzidas por
quatro altifalantes, com uma caixa de construção absurdamente sólida, com mais de 92
litros de volume e 40 Kg de massa, por coluna.
Os altifalantes estão inseridos na caixa em chassis próprios e coesos, projectados com o
propósito de minimizar as vibrações mecânicas e optimizar a dissipação de
temperatura, factor particularmente vital para o desempenho da unidade de agudos, um
tweeter em cúpula de alumínio, com 25mm de diâmetro, incrustrado num módulo saliente
à própria caixa, com um aspecto «industrial».
A unidade de médios exibe um cone MLP (mica-polymer), com 170mm de diâmetro, lembrando
os altifalantes das B&W P5 que um dia passaram cá por casa.
Generosos e com ar militarista, segue-se um dúo de woofers, com 215 mm de diâmetro,
complementados por uma abertura circular na caixa, que visa descer a resposta em
frequência... O desempenho conjunto desta equipa é pasmante, no que toca ao poder e
resolução dos graves... mas isso é assunto para opinião.
Basicamente, estas PARADIGM são umas predadoras de virtudes! Conforme justifico adiante,
a sua categoria, a todos os títulos, a todo o tempo, a todos os géneros, é tal, a um
preço tão competitivo, que, pessoalmente, não creio que se justifique a opção por
colunas bookshelf, no seu segmento de preços. Quanto às alternativas «de chão», de
momento, sob influência PARADIGMática, opto por não me expressar... mas a atenção a
detalhes, como a qualidade dos próprios espigões e «círculos» de suporte, os
terminais dourados para bi-cablagem / bi-amplificação, e até o facto de ser a PARADIGM,
a responsável por todas as unidades sonoras empregues, solidificam a ideia de estarmos
face a uma proposta quase irresistível!
Eis algumas outras características das PRS100:
PARADIGM REFERENCE STUDIO 100
Design
3 vias / 4 altifalantes
Resposta em frequência (sem considerar a extensão permitida pela abertura circular na
caixa)
39Hz a 22kHz
Sensibilidade
91dB
Amplificação recomendada
15 - 350Watts
Dimensões (altura, largura, profundidade)
(115, 26, 42) cm.
Estas colunas foram integradas no seguinte sistema de áudio e AV:
- pré-amplificador / amplificador estéro / amplificador integrado AUDIOLAB 8000S
- amplificador estéreo AUDIOLAB 8000PX
- amplificador estéreo integrado AUDIOLAB 8000A
- pré-amplificador digital / processador de som digital SONY EP9ES
- leitor de CD SONY CDP-997
- leitores de Laserdisc PIONEER CLD-S315 e PIONEER CLD-1850
- coluna central MONITOR AUDIO CC200
- colunas posteriores MISSION 760I
- cabos de coluna STRAIGHTWIRE WAVEGUIDE-8
- cabos de interligação STRAIGHTWIRE MUSICABLE-2
- subwoofer ENERGY ES-8
Sinceramente, o que mais pasma, num primeiro contacto com as PRS100, é a sua extrema
capacidade para elevadíssimas pressões sonoras!
Comecei a ouvir estas PARADIGM com o filme CON-AIR, com Nicolas Cage, John Cusak e John
Malkovich, realizado por Simon West. Este filme é uma montanha russa de eventos
explosivos, com uma banda sonora que foi candidata aos óscares de 1998, e uma ambiência
áudio espectacular, no sentido mais nú & estrito da palavra, com diversas
situações adrenalínicas, recheadas de tremores galopantes, chamas descontroladas,
disparos, perseguições, discussões e ruídos diversos, em catadupa, que não dão
descanso às colunas envolvidas numa audição surround. Do primeiro ao último segundo de
filme, há informação sonora, bem audível, a exigir atenção!
O meu exemplar de CON-AIR é em Laserdisc THX DOLBY-DIGITAL-AC3, que é como quem escreve,
o melhor possível para consumo doméstico.
Nesta, e em todas as outras sessões, surround ou estéreo, as PARADIGM estiveram
encarregues dos canais áudio esquerdo e direito. Desde o momento em que reproduziram as
sequências THX e DOLBY-DIGITAL, que constam de todos os Laserdisc assim certificados, que
ficou clara a sua imensa capacidade ao nível das pressões sonoras e do poder nos sons
graves.
Ouvi CON-AIR a um volume bastante altruísta; as paredes da sala lá vão abrindo
físsuras, mas paciência... tenho a escrever que as torres STUDIO 100 são deveras
poderosas!! A minha caixa toráxica foi efectivamente comprimida pelas tremendas ondas
mecânicas, debitas pelos woofers PARADIGM, que tão bem acompanharam o subwoofer ENERGY
ES-8. O som foi de uma grandiosidade impar, generoso, coeso, cristalino, envolvente,
musical e sólido, como poucas vezes experimentei!
Resposta em frequência a partir dos 39 Hz? Bah! Mentira! A extensão dos graves permitida
pela abertura circular frontal (e que diâmetro!), faz as PRS100 descerem, estou certo,
para lá dos 30Hz, ou menos...
Enquanto encarregues dos canais frontais de uma descodificação DOLBY-DIGITAL-AC3,
compete às PARADIGM, a orquestração da «cena» central da acção. Sendo as baixas
frequências pouco direccionais, e sendo as colunas centrais normalmente limitadas a
nível dos graves, é típico «desviar-se» os sons mais «baixos», também para os
canais frente-esquerdo e frente-direito, daí que as PRS100 tenham tido oportunidade de
demonstrar a sua aptidão nessa zona do espectro sonoro.
Outros filmes contribuiram para esta opinião, principalmente a versão BD [Banda
Desenhada] de SPAWN (Todd McFarlane) e Jurassic Park - The Lost World (Steven Spielberg).
Os dinossauros já nos conhecemos. Já se sabe da importância do desempenho em baixa
frequência, para tornar credíveis aquelas ondas de agitação nas poças de água, ou os
rugidos de irritação do T-Rex; mas SPAWN é outra história.
SPAWN é o meu primeiro filme Laserdisc de animação, que não é da Disney (The Lion
King, Pocahontas...). É um filme negro, muito negro, certificado para maiores de idade.
As animações não têm nada de [tecnicamente] especial, limitando-se a ilustrar a
dinâmica, da personagem homónima dos Comics. Todavia, a verdadeira dinâmica do herói
(das trevas?) SPAWN, nasce do som e não da imagem.
A voz de SPAWN é cavernosa e dominante; a violência da história explora diversas
situações áudio-espectaculares, como os duelos com o Violator (discípulo de Satanás)
e todos os assassinos enviados por Tony Twist (mafioso de Nova Iorque). São ocasiões,
principalmente em modo estéreo, que orgulham as PARADIGM, permitindo-lhes uma
demonstração de virilidade, ao longo de todo o espectro, em qualidade e quantidade...
tanta quanto o botão de volume requisitar. As explosões soam ágeis e profundas; as
correntes metálicas do herói, ouvem-se com os arrepios que associamos a uma navalha que
rasga um quadro de ardósia; e os diálogos, indiferentes, ficam sólidos, bem ao centro,
em antevisão do que se vai verificar em audições estereofónicas estritramente
musicais!
Com CDs, e numa apreciação mais convencional, está claro que as PARADIGM se limitaram a
reafirmar a sua excelência. Embalado pelo ambiente sofisticado de várias sessões
Laserdisc, e motivado pela espectacularidade surround AC3, dei por mim a ouvir horas e
horas de música electrónica: Robert Miles, Hal, Photek, The Grid, Brian Eno, David
Sylvian, Sacred Spirits, Massive Attack, Fsol, LFO, Pet Shop Boys e New Order...
Ainda que as STUDIO 100 sejam altamente performantes a todos os volumes, eu só me
estimulo com música electrónica, a volumes de médio curso.
Extraordinários os desempenhos vocais em Massive Attack, Pet Shop Boys e New Order!
Neutros, rigorosos, transparentes, estáveis que nem rocha, bem ao centro de um palco
extra-grandioso, especialmente em profundidade e altura!
A voz de Horace Andy em «Massive Attack / Blue Lines / One Love» soou sem qualquer silvo
ou arrasto, mas também sem perda de dinâmica; algumas colunas refream a transparência
na zona dos 8kHz, de forma a atenuar os sibilares, de forma a nunca serem inóspitas.
Infelizmente, essa solução resulta normalmente numa assinatura sónica discreta, sem a
elasticidade «natural», que se associa a muita informação áudio. Estas PARADIGM
estão equilibradíssimas a esse nível; neutras!
Na mesma faixa (segunda do CD), está omnipresente uma batida grave, de elevado contraste
e violência! As PARADIGM reproduziram este compasso hipnótico com uma «completude»
antológica. Os sons abaixo dos 50Hz são deveras cruciais! Depois de os ouvirmos e / ou
sentirmos, já não suportamos o cenário da sua falta, em que a música fica «omissa»,
despida de elementos... e não é só nas baixas frequências: é a tempo inteiro, porque
a informação em falta está para o palco sonoro, como uma fonte de luz, está para um
palco visual - a sua ausência compromete toda a imagem.
Transparência. Rigor. Neutralidade. Completude.
Prazer! Que alegria ouvir Pet Shop Boys com as PARADIGM. Uma festa! A música é
entretenimento! Vejamos até que extremo pode ir a euforia...
Requisitei à dupla AUDIOLAB 8000S + 8000PX um ataque deliberado aos altifalantes das
STUDIO 100! Foi vê-los agitados, foi sentir a respiração ofegante da abertura circular
na frente da caixa; e foi testemunhar uma avalancha musical, no melhor sentido! Que
pressão acústica! Que massagens peitorais! Se a capacidade de reprodução de graves, o
preocupa, então não hesite perante as PRS100!
Com software mais delicado e mais complexo, dos solos femininos à música erudita, estas
PARADIGM foram sempre uma excelência! Capazes de dar a ouvir os detalhes mais ínfimos;
capazes de injectar dinâmica, naquelas composições que você julgava mortiças;
demolidoras, em absoluto, quando a isso requisitadas, e arrumadíssimas na edificação
dos palcos, eis uma colunas exemplares!
As PARADIGM REFERENCE STUDIO 100 são umas grandes colunas de 3 vias e 4 unidades sonoras,
92 litros de volume e um desempenho qualitativo à altura do seu aspecto impressionante!
Ao longo de dezenas de CDs e Laserdiscs, não lhes detectei a mínima coloração, grão
no agudo, vibração mecânica, perturbação momentânea, distorção ou artificialismo!
Sem mais rodeios, estas colunas são pura & simplesmente o cúmulo dos cúmulos, na
relação qualidade / preço! Recomendadíssimas!!