7 Motivos Para ir Aprendendo a Ficar em Casa

Em 2024:

1 - O conceito de Work-At-Home (WAH) vigorará na sua máxima força, sempre que possível.

O WAH não passa de uma descentralização dos funcionários de uma empresa, pelos respectivos lares. A empresa limita-se assim a possuir, como instalações colectivas, o seu chamado ‘quartel-general’ - local a que recorre para reuniões, e onde gere todas as suas interacções com o exterior, o que inclui os seus funcionários ‘sedentários’.

Tendo em conta os elevados custos de terrenos e arrendamento de imóveis, algumas empresas de serviços, começam aventurar-se já hoje, pelo WAH. E com sucesso!

Em Portugal a Hewlett Packard será o melhor exemplo desta modalidade, tendo a empresa dobrado o seu número de efectivos e reduzido em metade a sua área de escritórios, nos últimos anos.

Outras grandes vantagens do WAH, referem-se à economia em transportes, à flexibilidade de horários, e aos consequentes ganhos de produtividade e satisfação pessoal.

2 - A televisão, como hoje a conhecemos, deixará de existir. Aleluia!

Muito se escreve hoje, sobre interactividade, vídeo digital, Pal-Plus e outros palavrões! Infelizmente, quase tudo o que se escreve é asneira!

De facto, o futuro da televisão é interactivo. Mas isso não significa que deixem de existir, ou mesmo de ser maioritários na oferta, os programas passivos; isto é, aqueles em que há um espectador que não quer actuar. Não haja dúvidas: em televisão, o programa passivo continuará a reinar!

A interactividade surgirá no sentido de desaparecerem, pelo menos nos países mais desenvolvidos, as estações de televisão generalistas e programadas; que é como quem escreve: se Portugal estiver nestas circunstâncias, RTP1, TV2, SIC e TVI são fósseis anunciados!

A interactivadade consistirá no que hoje já existe e se chama de distribuição de vídeo digital, em rede de alto débito - ou Vídeo-On-Demand (VOD).

O VOD é para o utilizador, muito simples! Há como que uma lista telefónica que lista todos os (dezenas de milhar) de programas disponíveis; cada programa tem um código associado, que poderá ser um número de telefone. Marcando esse número, o utilizador encomenda, para a altura que bem entender o programa que bem quiser! É o adeus aos atrasos e a absoluta independência televisiva. Cada qual so verá o que quiser, desde que disposto a pagar...

Nos Estados Unidos, numa cidade que não sei o nome, no estado da Califórnia, funciona já um serviço de VOD, explorado por um consórcio multinacional. Ter em atenção que a qualidade de vídeo digital destas emissões não tem rigorosamente nada a ver com o fraquíssimo FMV (Full Motion Video), tão apregoado e tão sobrevalorizado!

O futuro da televisão é também digital. Contudo (espera-se e reza-se por isso), os algoritmos empregues para compressão de imagens, serão muito mais orientados à qualidade, do que os actualmente utilizados na já mencionada tecnologia FMV, ela própria arrogantemente auto-denominada de DV (Digital Video). O FMV actual tem uma única preocupação: esmagar um filme dentro de um disco compacto de 12 cm. de diâmetro, vendê-lo a metade do preço do software LaserDisc, e publicitá-lo como de qualidade S-VHS.

As emissões californianas de VOD, mesmo que experimentais e também digitais, estão, em qualidade, bem acima do FMV.

Quanto ao último palavrão, PAL-PLUS, não será preciso esperar até 2024, para ver emissões nesse sistema. De vez em quando a TVI emite filmes em PAL-PLUS!

3 - A troca de correspondência será exclusivamente electrónica!

De facto, em 2024, e mesmo muito antes, os Correios abandonarão o seu papel clássico de serviço de distribuição postal, e passarão a prestar maioritariamente serviços de entrega de objectos não informatizáveis e mesmo serviços financeiros!

Cartas, livros, filmes, informação áudio e tudo o mais que se preste a ser digitalizado, só circulará pelas redes digitais (de altíssimo débito). Em cada lar, como hoje há um televisor, em 2024 haverá um computador, munido de uma unidade CD-R (CD Recordable), capaz de gravar áudio ou vídeo em disco compacto, eventualmente de diâmetro variável; desta forma, a própria compra de géneros ‘digitalizáveis’, como o são os livros e a música, poderá fazer-se no conforto do lar do consumidor, ao estilo do Video-On-Demand - pedido e satisfação do pedido, em segundos, trocar-se-ão pela linha telefónica. Os livros serão impressos por tecnologia laser, de qualidade e rapidez alucinantes, havendo a vantagem do utilizador poder seleccionar a qualidade do papel e o tamanho da letra que vai ler. A própria gravação em disco compacto da informação áudio ou vídeo, poderá ser feita com uma frequência de amostragem seleccionável, cabendo pois ao consumidor a palavra final no que toca à qualidade do género adquirido. Os audiófilos, por exemplo, poderiam desta forma, contornar a inevitável perda de informação que hoje os discos compactos de áudio sofrem, por comparação com os seus equivalentes analógicos!

Contudo, a acrescida flexibilidade na manipulação de informação, poderá conduzir ao fim de algumas associações informação/suporte-de-informação clássicas: é o caso da associação informação-escrita/papel - as pessoas poderão optar por projectar a página de um livro, e por lê-la projectada, ao invés de impressa...

Veja-se o ponto 4.

4 - A Sociedade será... diferente!

Tendo em conta a maior sedentarização das sociedades, por força da funcionalidade acrescida dos lares - que se tornarão em alguns casos nos próprios locais de trabalho das pessoas - em 2024, o conceito de Casúlo-Humano será uma realidade já enraízada!

Os actos sociais ‘públicos’ (por oposição aos actos sociais ‘virtuais’ ou ‘electrónicos’) das pessoas estarão reduzidos a reuniões de emprego, circunstâncias de necessidade (ir ao médico, ir ao hiper-mercado,...) e ocasiões festivas. Um pouco, ou quase totalmente, como hoje! A diferença estará na velocidade das interacções sociais: tudo será mais rápido! A pessoa tomou consciência da sua auto-suficiência física, conseguida por uma dependência ‘virtual’ ou ‘electrónica’ (repito), e não está disposta a abdicar dela! Assim, a pessoa não tolerará ficar uma hora (fisicamente) retido num restaurante, ou passar uma semana (fisicamente) dependente de uma decisão de um colega de trabalho!

Tudo terá de ser mais rápido! E melhor! Mesmo as relações intimas terão de se revelar proveitosas num menor espaço de tempo, porque o complexo mecanismo que conduz a essas relações expõe a dependências físicas indesejadas: conversas de café, cedências ao ritmo de vida do parceiro, etc...

Mesmo hoje, das pessoas que levam uma vida de grande contacto com o meio Informático, costuma dizer-se que são "muito virados para si próprios", ou "fechados em relação a estranhos"; embora não passando, quase sempre, de avaliações não generalizáveis, nestas frases estará eventualmente contida a essência de cada um de nós no ano 2024 - cada qual será mais hermético!

5 - O País, será aparentemente o mesmo.

Como se prevê, as grandes alterações sociais até 2024 serão ‘internas’; quer dizer, serão nos lares das pessoas e nas próprias pessoas.

Aqueles cenários de filme de ficção científica, com estruturas habitacionais mirabólicas e automóveis voadores, poderão ser uma realidade algum dia, embora, estou convencido, num futuro bem mais distante do que 2024. Mas primeiro estas alterações ‘internas’!

Fora de casa, haverá contudo, ainda assim, alterações visíveis:

- No caso de se esgotarem finalmente as reservas de petróleo, o automóvel, tornar-se-á eléctrico! Já quase todos os fabricantes de automóveis têm modelos eléctricos suficientemente capazes.

- As escolas, terão tendência para ceder ao modelo At-Home: afinal, havendo a mais-que-certa explosão tecnológica nos lares, os alunos passarão inclusivé a dispor de melhores condições de aprendizagem em casa! Ir aos estabelecimentos de ensino, só se for para ser avaliado...

O Ensino, independentemente do nível (primário, secundário, superior,...) poderá então ser ministrado ao ritmo que cada qual suportar, desaparecendo finalmente as chatíssimas polémicas do "deverá haver escolas especiais para génios?" ou do "deverão as licenciaturas ter quatro ou cinco anos?"

- Continuaremos a ser menos de 10 Milhões! Felizmente!

6 - No estrangeiro, haverá do bem bom e do muito mau...

Os Estados Unidos continuarão a ser o patrão mundial. Esta nação, mercê da sua riqueza natural e do seu domínio tecnológico, constituirá em 2024 o expoente máximo das tendências At-Home, mantendo a sua população e reservas naturais estáveis, em relação aos valores de 1994.

As tendências At-Home, poderão mesmo contribuir para um diminuir da criminalidade, da poluição e do adultério...

... infelizmente, desconhecendo o que é isso do At-Home, mais de metade da população mundial não fará mais nada do que reproduzir-se, padecer de doenças e sub-nutrição.

A India terá em 2024, mais de mil milhões de habitantes, todos magros e condenados, porque s-i-m-p-l-e-s-m-e-n-t-e, não há maneira de um país com mais de 1/5 da população do planeta ser humanamente viável!

7 - Eu

Não sei se estarei vivo.

Caso ultrapasse o meio século de idade, deverei tornar-me obeso, careca e desempregado. At-Home! Claro! (espero...)