31-March-1999 [Artur Marques]

Today: #1) Portuguese opinions about NATO vs YUGOSLAVIA [only in portuguese]

Opiniões PRO e ANTI NATO

Recebi algumas reacções, relativas à tomada de posição this site supports NATO: (este website apoia a NATO)

PRO-NATO:

[Paulo Valente, Portugal]

Alguns profissionais do futebol descobriram, em idade tardia, a sua verdadeira vocação. São uns palermas inaptos que se juntaram aos atrasados mentais ou ideológicos, e que pensam que têm alguma coisa a dizer sobre uma Jugoslovia que já não conhecem, e sobre um conflito que pensam que entendem. Estas pessoas são representativas de uma pequena multidão de demagogos, que falam muito e fazem pouco ou nada, a maior parte com filiação partidária comunista...

[Alexandre Furtado]

A manifestação a que assisti frente à embaixada dos EUA, em Lisboa, foi uma coisa cómica. Vi manifestarem-se pessoas que noutras circunstâncias, relativamente a outros conflictos étnicos, tomariam uma posição absolutamente contrária. O mais estúpido dos argumentos contra a operação da NATO na Jugoslávia, é o que «há hipocrisia, uma vez que se fecham os olhos em relação a tantos outros problemas regionais análogos». Bem, como se costuma dizer «preso por ter cão, e preso por não ter». A NATO não tem recursos para resolver pela via militar, todos os problemas «análogos». Mas caso os tivesse, não faria sentido resolver pela força, todas as situações. O uso da força só acontece em circunstâncias absolutamente excepcionais; e é claro que há conflictos onde a NATO, que tem os seus interesses (e hipocrisia seria sim não reconhecer isso), avalia como não adequados para intervenção...

ANTI-NATO:

[Ana Rodrigues]

A União Europeia não existe; ou se existe, é apenas uma colecção de paus mandados dos americanos...

A minha opinião:

#1: Não confundir a NATO com os EUA.

A NATO foi formalmente constituida a 4 de Abril de 1949, tendo como signatários a Bélgica, o Reino Unido, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Irlanda, a Itália, o Luxemburgo, a Holanda, a Noruega, Portugal, e os EUA. De então até hoje, tornaram-se membros, a Grécia, a Turquia, a Alemanha e a Espanha (só em 1982). Que eu leia, os EUA são apenas UM de entre várias países. A NATO não é só os EUA. É evidente que os EUA são uma nação extremamente influente, e é natural que essa influência tenha efeitos noutros países; a manifestação dessa influência pode, mas não deve, ser confundida com «imposição». A NATO não é um episódio de X-Files!, recheado de conspirações. É demasiado simplista reduzir a relação entre países soberanos a uma relação de mestre[s] - escravo[s]...

#2: Se a NATO actua na Jugoslávia, porque não actuou em conflictos africanos recentes, e noutras partes do mundo?

Como disse Alexandre Furtado, «preso por ter cão, e preso por não ter». O que certas pessoas afirmam, é que «se se utiliza a força para resolver um problema, tem de se utilizar a força, para resolver todos os problemas», e isto é uma maneira de pensar terrivelmente limitada e perigosa.

É claro que hoje só se actua se houver um mínimo de interesse em actuar; e há circunstâncias, em que a NATO não tem interesse nenhum em envolver-se. Os FACTOS, a história recente da humanidade, sugerem que se alguém não actuar, as situações não se resolvem. «Actuar» não significa necessariamente usar a força.