| PC GUIA # 38 - Editorial |
Quando a série foi exibida em Portugal, eu fascinava-me com cada minuto de cada episódio e perdia muito tempo a pensar no ano de 1999, que me parecia um marco temporal tão imponente, tão intransponível, tão improvável, tão distante, que não me dava conta que eu ainda seria jovem (isto é, alguém com vantagens no crédito à habitação), quando o momento chegasse. E o momento chegou.
E afinal, não estamos todos a viver na Lua; continuamos sem contactar formas de vida extra-terrestres e inteligentes (pelos nossos padrões e interpretação física); e, apesar de mais poluído, mais exausto de recursos, mais quente, e mais imprevisível, o nosso planeta ainda está habitável. Não quer isto dizer que «Space 1999» tenha sido um «tiro [falhado] no escuro», no que toca à relação Ficção / Realidade… quer antes dizer que o Futuro está aí.
Aqui. Por maior que nos pareça hoje um disco de 18GB; por confortáveis que soem 512MB de RAM; por soberbos que se experimentem os jogos; por muito productivas que se provem as ferramentas utilitárias; e por distante que nos pareça o dia em que se venham a massificar as viagens interplanetárias, a verdade é que esse momento chegará… muito, muito mais depressa do que alguma vez conseguimos ter sensibilidade para perceber.
Está aqui mais um CDROM. Contém todas as guerras, ao longo de duas décadas; um centro de atendimento a emergências, uma escola de pilotagem de aviões ultra-sónicos, um mundo de comércio espacial, o trabalho intelectual de meio milhar de cérebros, e a arte de outros tantos. Tudo numa película prateada, com 1 milímetro de altura, prensada numa rodela plástica. Com sabor a morango. Bem, esta última parte não é verdade.
Pode parecer que não escrevi sobre o que efectivamente está no CDROM, mas escrevi. O que se passa é que a Informática, mesmo a de grande consumo, é muito nobre. A sua nobreza vem das emoções e da imaginação, que, a meu ver, são a nossa melhor medida de inteligência. Não acredito que haja um único leitor da PC-GUIA que consiga esgotar ao extremo, o proveito possível com todos e cada um dos programas presentes na rodela do mês! Não há tempo físico para isso. Principalmente porque o limite para o proveito de alguns programas (os utilitários), é precisamente estabelecido pela nossa própria imaginação, que se quer ilimitada.
Por outras palavras, estamos a aprender que a vida é a informação. Porque é a informação que nos dá prazer. E em menos de uma década, o CDROM tornou-se o meio para prazeres só ultrapassados pela nossa natureza primária. Se isto foi assim em poucos milhares de dias… aventurem-se a fazer um guião para «Space 2999» e, desta feita, façam pontaria muito para lá do horizonte…
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