PC GUIA # 41 - Editorial

As pessoas que lidam com Informática, têm tendência a ser muito prácticas, o que no meu entender significa serem objectivas e orientadas à maximização do tempo disponível. À medida que a sua relação com a Informática se estreita, naturalmente que estas pessoas vão ficando mais exigentes, em relação aos respectivo computador, tornando-se parte activa do ciclo infinito do processo de desactualização / actualização de hardware.

Quase todos os utilizadores de PC já terão um dia constatado quão melhor não estariam se fizessem certa modificação na sua máquina… e esta necessidade constante de ter de dispender para dispôr de equipamento «à altura» dos seus padrões correntes de exigência, faz com que, paradoxalmente, as pessoas sintam alguma frustração, face ao «estado das coisas».

Este «estado das coisas» é particularmente agudo nos países onde a pirataria de software assume proporções relevantes. Portugal não é a China, mas é trivial arranjar software a uma fracção do preço das versões legalizadas. Quando o software é [potencialmente] mais acessível do que o hardware, os consumidores sentem mais depressa a necessidade de evoluir os respectivos computadores, uma vez que estão constantemente a experimentar programas recentes.

É preciso não esquecer que todos os projectos informáticos ambiciosos demoram muito tempo a construir, e que ninguém vai hoje, por exemplo, pensar em fazer um jogo que explore ao máximo o melhor dos PC actuais… porque esse computador será «lixo», 18 ou 24 meses mais tarde, quando chegar a altura do projecto ser tornado público. Há que olhar muito para lá do horizonte, com um tempero de realismo, o que está longe de ser trivial.

Em Portugal, a maioria dos PC são montados por casas de comércio de hardware Informático, que têm entre si uma relação predatória, para bem e para mal do cliente. Para bem, porque não é complicado comprar um bom PC, por relativamente pouco dinheiro. Esse PC será suficiente para utilizar quase todo o software do momento, com um nível de qualidade razoável. Para mal, porque assim que se desactualizar, esse PC estará condenado ao esquecimento - não se justifica a reutilização dos seus componentes.

Podia argumentar sobre o processador, a memória, os discos, etc… mas vou só abordar a mais esquecida e desprezada das partes: a caixa, até porque a maior parte das pessoas pensa que, em caso de desactualização extrema, «só se aproveita a caixa», quando, provavelmente, esse será o artigo que menos se justifica reutilizar…

Há caixas acessíveis e há caixas dispendiosas. Não há nada no meio, e esse é o problema. A esmagadoríssima maioria das caixas são péssimas: pequenas, com má circulação de ar (às vezes até com fluxos de ar contrários aos adequados), com fontes de alimentação modestas, instáveis na qualidade do sinal eléctrico, poucas fichas de alimentação de periféricos; e uma estrutura metálica que varia do cortante ao terrivelmente mal arrumado…

A instabilidade da alimentação eléctrica despoleta situações de erro, por vezes atribuídas ao sistema operativo, facilita o sobreaquecimento dos componentes, e impede mesmo a funcionalidade correcta de algumas possibilidades [teóricas] da máquina. Outras vezes, a alimentação eléctrica é simplesmente insuficiente  ou não conforme as especificações; por exemplo, é muito fácil encontrar motherboards ATX 2.01, instaladas em caixas cujas fontes de alimentação não respeitam a norma…

A circulação do ar é outro assunto incompreendido, com muitos utilizadores a rechearem as respectivas caixas de ventoínhas, sem olharem a como é suposto acontecer a deslocação gasosa.

As boas caixas custam uma pequena fortuna (na ordem da centena de contos),  estão equipadas de fontes de alimentação duplas (se uma falha, a outra em acção), têm incorporadas várias ventoínhas, de funcionamento opcional, mas nenhuma inclusa nas próprias fontes; permitem boa arrumação interna, montagem de alguns periféricos sem parafusos, e aceitam várias normas (como AT e ATX). Uma caixa destas dura uma vida e é capaz de aumentar o desempenho de um sistema, ao garantir-lhe temperaturas adequadas e estabilidade de alimentação.

Seria interessante que a comunidade de consumidores de hardware informático, começasse a exigir boas caixas.

Vem isto a propósito de que as aparências também interessam (e a caixa é a primeira coisa que se vê, num computador), desde que substanciadas por um conteúdo de respeito.

O CD da PC-GUIA esforça-se por ser de respeito: explora sempre, ao extremo, os 650 MB permitidos pelo suporte; diversifica-se por entre software de produtividade e de entretenimento… e nesta edição estreia uma nova interface para o utilizador. Não é nada fácil oferecer melhor, com a vantagem absoluta de ser também um CDROM, não só PARA os leitores, mas também DOS leitores [colabore!].

A nova interface é muito simples e houve um único objectivo a orientar a sua concepção: objectividade [ler o primeiro parágrafo deste editorial]. Estão presentes as secções de sempre - seleccionam-se com a facilidade de um click no botão principal do rato, e seguem este princípio, ao longo dos respectivos conteúdos.

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