PC GUIA # 44 - Editorial

Os demos estão a mudar. As demonstrações de software já não são necessariamente produtos limitados no tempo, e estão longe de corresponder a programas sem hipóteses de sucesso no circuito comercial clássico.

O fenómeno dos demos, do shareware e do freeware, terá começado em força com o evento do CDROM. No início da década de 90, o softtware para PC corria sobre o célebre MS-DOS, e uma instalação grande era coisa que exigia 10 MB...  o que fazia parecer os 650 MB de capacidade do suporte, algo de quase inesgotável.

O que se assistia era pois à edição de CDROMs completamente recheados de centenas de pequenos jogos, utilitários e imagens, todos de qualidade sofrível [aos olhos dos padrões actuais], mas muitas vezes fruto da chamada bedroom programming scene, isto é da autoria de pessoas normalíssimas, que passavam dezenas de dias a programar com poucos recursos, entre as quatro paredes do respectivo quarto de dormir, muito ao jeito do que já tinha acontecido com o ZX SPECTRUM e que, aliás, tinha permitido a esse micro-computador tornar-se [até hoje] a plataforma com o software mais original, precisamente por serem produtos de individuais, não integrados em equipas sujeitas à pressão de um negócio que actualmente já movimenta mais dinheiro do que a indústria cinematográfica...

Começou assim. Mas em pouquíssimos meses as coisas alteraram-se profundamente. Até ao evento da massificação da Internet, os pequenos programadores sofreram com a revolução dos processadores, dos sistemas operativos, das APIs, e dos circuitos de distribuição do seu produto intelectual. Só agora as coisas parecem suficientemente estáveis, pelo menos ao nível das ferramentas de authoring, para que se viva a época dourada que vivemos, em que é extremamente fácil encontrar software gratuito da mais elevada qualidade.

O Tempo fez transformações radicais. Agora, o complicado é decidir o que é que nos merece atenção, de entre tantas candidaturas. E os candidatos sabem disso, pelo que começamos a assistir a novas estratégias de promoção. HALF-LIFE é dos melhores exemplos: os autores, em vez de se limitarem a oferecer aos interessados um demo que não é mais do que um capítulo do jogo comercial, optaram por oferecer um episódio INÉDITO, que será pois de potencial interesse para rigorosamente todas as pessoas. Esse episódio consta do CD-GUIA desta edição.

No que toca aos utilitários, é muito mais delicado destacar um produto. Optar entre oferecer qualquer coisa de limitada nas opções de funcionamento, ou qualquer coisa de limitada no tempo, não é tarefa fácil... os limites funcionais impossibilitam a experiência plena do software; os limites cronológicos facilitam o não cumprimento das licenças de utilização...

Para aquelas coisas que não puderam constar do CDROM, por se ter esgotado a respectiva capacidade de dados (650 MB), chamo a atenção para o utilitário GO!ZILLA, na secção de Internet. Este programa é um, de entre vários actualmente disponíveis, que lhe permite interromper os downloads que precise de fazer, mesmo que via http, desde que o servidor suporte tal facilidade. É algo de extremamente útil, que garante uma maximização do seu tempo on-line. Quantas vezes não perdeu um ficheiro, aos 90%?

Outro destaque vai para alguns drivers, discretamente acessíveis a partir da secção de Utilitários, que suportam dois dos dispositivos mais populares no mundo dos PCs: os mouses Microsoft e as placas gráficas baseadas no processador RIVA TNT da NVIDIA. Os drivers TNT fornecidos são genéricos e deverão funcionar em todas as RIVA, como por exemplo a versão da Creative Labs.

Por fim, a web do mês é algo de muito especial. Temos uma página Internet absolutamente dedicada ao assunto dos OVNI [Objectos Voadores Não Identificados], em português, com particular incidência sobre ocorrências em Portugal, muito ilustrada, tão bem documentada quanto é possível nestes casos, e da autoria de José Garrido, uma pessoa reconhecidamente empenhada na matéria.

Enfim, mais uma vez o CD-GUIA parece-me um CDROM manifestamente desintoxicante, muito lato nos conteúdos, que se esforçam por agradar a todos, permitindo até a colaboração dos leitores. Apesar de manifestos progressos, continuo muito surpreso com o baixo número de candidaturas à secção Webs. Sinceramente, as oportunidades nos dias que correm são tão escassas, que não percebo de todo, como é que não há mais leitores ou a perderem a vergonha, ou a porem mãos à obra, para a apresentarem o seu produto intelectual [qualquer!], neste media que chega a dezenas de milhares de pessoas. É lamentável.

Qualquer coisa de interesse, mas sem attaches [por favor!], para *contact*

Artur