PC GUIA # 53 - Editorial

2000 vai encerrar um século em que as distâncias físicas foram perdendo significado. Em 1901, uma viagem de Lisboa ao Porto era coisa para demorar dias. Hoje, há vôos comerciais de Lisboa para New York, em menos de seis horas, já contemplando o tempo para embarque e desembarque.

Os progressos tecnológicos têm literalmente encurtado distâncias. Isto significa que uma localização periférica é hoje menos penalizante. De certa forma, Portugal sempre pagou o preço de ser «a cauda da Europa», uma vez que o transporte de bens e a representação de entidades, é mais cara na periferia.

Mas desde há uns anos que o preço da factura vem diminuindo. Aliás, há situações em que se tornou positivo ser «a cauda»... basta olhar para a História recente de alguns países europeus com muitas fronteiras, para perceber o risco que é ter vizinhos...

Assim, justificar-se-ia algum optimismo, desde que conseguissemos capitalizar estes tempos de mudança, e assumir uma posição de relevância na nova Economia Digital Distribuída. Infelizmente, estamos a perder o fòlego e isso poderá resultar mais caro do que décadas de acesso físico / geográfico dificultado! Não foram só as distâncias que se redefiniram – foi também a velocidade / Tempo com que tudo acontece.

Estamos a perder o fôlego, porque se erguem barreiras à fruição das tecnologias. A triste intenção da Comunidade Europeia de ser pioneira na aplicação de taxas ao comércio electrónico, os preços elevados dos circuitos de dados internacionais (mesmo que intra-europeus), e a exploração do consumidor final pelos operadores privados de comunicações de dados, são apenas alguns exemplos das dificuldades que, por exemplo, o internauta português vai ter de enfrentar a muito curto prazo...

No Reino Unido, a BT Telecom tem um plano de consumo em que, por um valor mensal fixo, o cliente tem direito a fazer Internet, sem limites. Em Portugal sobem os custos das chamadas locais, introduzem-se limites de tráfego, e há uma quebra no crescimento do número de utilizadores da Internet.

Por toda a Europa, são os individuais a construírem portais ou super-websites... mas entre nós, são os próprios ISP a manterem e fomentarem esses sítios, na esperança de atraírem mais navegadores (seus clientes)...

Estamos a abordar as coisas ao contrário. São os individuais que têm de ser motivados e facilitados na sua presença Internet, para que de aí nasça um suporte genuíno, que viabilize os «grandes».

Nesta edição do CD-Guia, a secção de Internet está orientada à segurança. Depois de um Fevereiro que viu alguns dos websites mais visitados, a nível mundial, serem vítimas de ataques de exércitos de computadores, que os obrigararam a débitos na ordem do GB / segundo, com a consequente paralização da capacidade de resposta das máquinas, fazia sentido incluir software de protecção...

Todavia, o meu destaque vai para a quantidade e qualidade do software com zero restrições. Há um gestor de bases de dados relacionais, um dicionário inglês-inglês massivo, editores gráficos para propósitos diversos, e um programa para quem utiliza o PC em condições regionais muito diversas, e não está para configurar manualmente todas as alterações.

São milhões de linhas de código, oferecidas para serem apreciadas e respeitadas.

Os «jogos» também justificam espaço nesta redacção. Armored Fist 3 utiliza um motor gráfico baseado em voxels (em vez de polígonos); Wheel of Time é totalmente inspirado na ficção de Robert Jordan; e Urban Chaos faz uma abordagem desintoxicante a um tema que parecia esgotado...

Viva a imaginação!

Artur

www.arturmarques.com