Yamaha DVD S2500
Está disponível o meu artigo sobre o produto Yamaha DVD-S2500, conforme publicado pela revista ÁUDIO.
Segue-se (apenas) a introdução. O artigo integral está disponível para download, em Yamaha DVD-S2500.
Aberta a guerra dos gravadores de DVD-Vídeo – que são máquinas também capazes de reproduzir filmes -, os equipamentos restritos à leitura de conteúdos, tentam cativar dois segmentos de mercado muito diferentes: o segmento em que o preço baixo é o único critério e o segmento em que a qualidade impera.
Suponho que para a generalidade dos consumidores realmente apreciadores de cinema em casa, o caminho da qualidade seja a única opção, principalmente porque assumindo que já existe um leitor de DVD no lar, só é racional substitui-lo por uma alternativa que faça mais e melhor.
Muito mais e muito melhor é a ambição do leitor Yamaha DVD-S2500. Este Yamaha é um leitor de discos ópticos diversos, suportando principalmente DVD-Vídeo, DVD-Áudio, Super Áudio CD (SA-CD), Vídeo-CD (VCD), Super VCD e CD-R(W), estes últimos podendo conter ficheiros MP3 e JPG.
Esta lista de funcionalidades não é extasiante: outros leitores domésticos de discos ópticos suportam conteúdos em formatos como WMA (Windows Media Audio), FLAC (um codec para a compressão de áudio, sem perda de dados), XVID e DIVX.
Também seria agradável que os ficheiros MP3 e JPG fossem suportados em DVD-R ou DVD-RW. Isso só não acontece devido à inflexibilidade da rotina que detecta a inserção desses discos, que procura de imediato a estrutura de ficheiros correspondente a um DVD-Vídeo, ignorando outras pastas e fazendo eject da rodela, com a mensagem de “Unknown”, no display frontal.
Para quem, ainda assim, quiser fazer autoria de discos com ficheiros MP3 e JPG, fica a nota que é sempre necessário finalizá-los (sinalizar que a tabela de conteúdos está encerrada).
O que o Yamaha DVD-S2500 omite, em formatos suportados, compensa em termos de ligações físicas. Este equipamento é tão completo que integra: ficha HDMI, fichas i.Link, interface RS-232C, descodificador de áudio com saídas analógicas 5.1, saídas de vídeo analógico composto, s-Vídeo e por componentes; as habituais saídas óptica e coaxial, para áudio digital, e um terminal para ligação do cabo de electricidade.
Acresce que as entranhas deste Yamaha orgulham-se de incluir electrónica Genesis/Faroudja (chip FLI-2310 LF) para o processamento de vídeo – essencialmente para o chamado vídeo progressivo, que consiste em não intervalar a emissão das linhas pares e ímpares, funcionando pois ao dobro da velocidade do vídeo interlaced.
A lista de logótipos estampados na frente do Yamaha informam deste “DCDi by Faroudja”, mas o logótipo poderá fazer hesitar algumas pessoas, devido à suposta frequência com que esta solução despoleta fenómenos de blocos de pixéis (macroblocking), apesar da excelência com que faz de-interlacing (vídeo progressivo) e anti-aliasing (eliminação de efeitos de escada). No teste propriamente dito, eu estaria/estive atento a esses fenómenos.
No papel, não subsistam dúvidas, o Yamaha DVD-S2500 é uma montra do melhor que há em electrónica doméstica.
O vídeo DAC (@ 216 MHz) tem uma resolução de 12 bits por componente de cor, o que matematicamente corresponde a mais cores do que aquelas que, em teoria, o nosso sentido da visão consegue distinguir.
O terminal HDMI (High Definition Multimedia Interface) suporta a transferência de vídeo não sujeito a (re)compressão, entre o Yamaha e um dispositivo de visualização compatível. A ficha HDMI é uma “evolução” da interface DVI (Digital Visual Interface), que junta ao sinal de vídeo, o transporte do sinal de áudio. Conforme seria de esperar, a ligação só será bem sucedida com equipamentos que façam HDCP (High bandwith Digital Content Protection), de forma a impedir cópias digitais dos conteúdos de “alta definição”.
Devo admitir que a expressão “alta definição” causa-me ligeiras reservas… 1080 linhas são ALTA definição em 2006? Talvez o fossem em 1996, mas parece-me uma adjectivação desvirtuada nestes dias que correm, em que não é assim tão invulgar trabalhar-se com resoluções de 2048 linhas e utilizarem-se máquinas de fotografar digitais com “olho” de 4368 linhas (12.8 MPixels). Talvez a “alta definição” HDMI seja uma expressão própria desta fase, em que só dispositivos CRT (em extinção) reproduzem 1:1 imagens de 2048+ linhas, e há que escoar LCDs e Plasmas de 1080 linhas. Em todo o caso, é um facto que só agora começam a surgir conteúdos passivos domésticos (filmes, séries de televisão), com 1080 linhas.
No Yamaha DVD-S2500, são suportados sinais HDMI 480p, 576p, 720p e 1080i : nestas referências, o número é o número de linhas; p significa “vídeo progressivo” e i significa “vídeo interlaced”.
Mas o som pode ser rei em muitas ocasiões – por exemplo, durante este teste, vi o filme The Village (2004), cujo suspense depende grandemente da acústica envolvente – e o DVD-S2500 não descura o áudio, recorrendo a DACs (Digital to Analogue Converters) de 192 kHz de amostragem e 24 bits de resolução, que só farão ouvir o seu melhor nos suportes SA-CD e DVD-Áudio.
Outros detalhes denotam atenção ao som; por exemplo: (1) são suportadas as meta-informações ID3 em ficheiros MP3, (2) a máquina integra descodificadores DTS e Dolby Digital, e os terminais 5.1 correspondentes são dourados; (3) as fichas i.Link (IEEE1394 ou firewire) estão presentes a pensar nos fluxos Linar PCM (DVD-Áudio) e DSD (Direct Stream Digital @ SA-CD); (4) é possível desligar completamente os circuitos de vídeo, durante sessões de áudio; e (5) o próprio painel frontal em alumínio oferece, teoricamente, um efeito de blindagem electro-magnética, que minimiza os eventuais efeitos de interferência que podem resultar da proximidade de dispositivos, como televisores.
Para lá das fichas já referidas, na parte de trás do Yamaha DVD-S2500, existe um selector “Scan Mode”, que comuta entre “interlace” e “progressive” e que muda o tipo de sinal de vídeo analógico emitido. Em caso de dificuldades com o sinal “progressive”, que podem acontecer com televisores velhos, o utilizador pode/deve mudar para “interlace”. No caso estar a ser lido algum disco nessa ocasião, o Yamaha faz stop, apresenta o seu “wallpaper” e depois dá continuidade ao filme, em 2, 3 segundos.
O telecomando é básico, mas funcional: as teclas têm cores, formas e localizações apropriadas, mas não há nada de relativamente distintivo, como retro-iluminação.
O sistema de menús é fácil de utilizar, mas comete algumas falhas, como esconder parcialmente o caminho da opção que está a ser trabalhada (mostrando apenas as opções terminais) e NÃO esconder certas opções, quando não se aplicam, como deixar ajustar Chroma Delay e Gamma – que só se afectam sinal de vídeo analógico feito sair pela saída por componentes – quando se está a utilizar a saída HDMI.
De todas as opções, as mais interessantes ficam no menú “Adv. Picture” (Advanced Picture). Este menú é riquíssimo e confere às possibilidade de ajuste do Yamaha um alcance que se tornou referência no meu universo de experiências, com leitores domésticos. De entre muitos ajustes, destaco a utilidade e o impacto notório de: True Life, DCDI, Chroma Delay, Gamma e Video Shift.
True Life (ajustável de 0 a +7) contribui para imagens mais vivas, tendo efeitos na côr e no contraste.
Directional Correction Deinterlacing (DCDI ligado/desligado), que só se aplica a vídeo progressivo, é uma forma de anti-aliasing; isto é, uma forma de evitar “efeitos de escada” artificiais, através de um processo matemático baseado em vectores horizontais de 2 pixéis. Os utilizadores de computadores acharão o funcionamento de DCDI similar ao que se faz no projecto “AVI Synth” (http://avisynth.sourceforge.net/).
Chroma Delay (-3 a +3), que só se aplica à saída de vídeo analógico por componentes, corrige a desincronia entre os sinais de luminância e crominância. Se, por exemplo, achar que há uma periferia luminosa nas formas que estão no ecrã, é possível que o seu sinal de vídeo tenha luz e côr fora de compasso.
Gamma (-7 a +7), que só se aplica à saída de vídeo analógico por componentes, na prática, serve para tornar mais visíveis as cenas escuras (valores positivos), ou acentuar contrastes (valores negativos).
Video Shift (+1 a +7), deixa ajustar a posição da imagem, para a esquerda ou para a direita, entre 1 a 7 pixéis.
É pena que alguns destes ajustes não sejam aplicáveis ao sinal HDMI.
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