A Pixmania é uma loja online com preços quase tão atraentes como os de Amazon.de e outras lojas online. Quanto não há problemas com as encomendas e com os produtos, é uma maravilha. Infelizmente, quando os problemas surgem, o cliente descobre quão péssimo é o suporte e o atendimento. Comprar deixa de ser um prazer e passa a ser um tormento, principalmente quando há que falar com pessoas frágeis…

O primeiro sinal de imaturidade do site da Pixmania, para Portugal, é a qualidade do português escrito, frequentemente injectado com expressões noutras línguas, a mais frequente o francês, embora o italiano também faça umas aparições (como em “Area rivenditori”…).

Por exemplo, quando o cliente recebe um qualquer e-mail, para confirmação de uma encomenda ou a informar que um pedido de esclarecimentos foi recepcionado, é possível lerem-se gemas como “registramos o seu pedido”. O verbo registar atropelado pelo registrar.

Mas justifica-se ser tolerante e compreender as imperfeições, para ter preços mais interessantes.

O que já não se aceita é a fragilidade, traduzida em má educação, do apoio ao cliente, por telefone, ainda mais com o cliente a pagar…

No meu caso, fiz uma encomenda em 2006–08–12, de um equipamento de ar condicionado, a entregar na minha residência, via transportadora Seur. Ao não ter recebido o aparelho em 2006–08–18, decidi telefonar. Depois de três minutos de música e de informação repetitiva sobre a Pixmania, seguidos de um aviso de que a conversa seria gravada, fui atendido por uma mulher que não se identificou e que, uma vez em posse do nº da encomenda problemática, explicou-me que “não tinha acontecido a expedição, devido a um erro informático”. Tentei articular esta resposta com a informação que o próprio site da Pixmania escrevia, para a mesma encomenda: “O vosso pedido foi objecto de uma expedição. Poderá acompanhar o vosso pedido clicando no número aqui abaixo”. Objectivamente, a Pixmania falava/escrevia a duas vozes e eu (só) pretendia compreender porquê.

Talvez vítima de complexo de perseguição, a mulher que estava do outro lado do telefone, escondida no seu anonimato, acusou-me de “pôr em causa o que dizia”, ao que reagi calmamente, informando-a de que “procurava apenas fazê-la compreender a minha posição”.

Para finalizar, foi-me dito que durante o próprio dia seria contactado pelo responsável de operações. Aguardei. Foi preciso continuar aguardar até dia 2006–09–28…

Em todo o caso, não havia necessidade da conversa ter decorrido como decorreu. O lado positivo é que uma pessoa questiona-se: de que vale fazer compras? Depois de reflectir, talvez se poupem muitos euros. Precisarei mesmo do equipamento que adquiri? Comprar é um risco e eu estou a ficar com aversão ao consumo.

Consumir está a ficar irracionalmente arriscado, com recompensas modestas para quem se atreve.

Nota: eu também gravei o telefonema.