ITeach é mais uma iniciativa da Microsoft Portugal, para a educação. A sua apresentação aconteceu na quinta-feira, 2006–11–16.
O site oficial está em http://www.iteach.pt/default.aspx.

Cheguei ao evento ITeach, pelas 13:55, tendo logo encontrado Vitor Santos – Gestor de Programas Académicos de Ciência dos Computadores da Microsoft Portugal – e o Professor Brasileiro Flávio Soares Silva, do Laboratório de Lógica, Inteligência Artificial e Métodos Formais, da Universidade de São Paulo, que faria a terceira apresentação do dia.

Foi com o Professor Flávio Silva e, depois, com docentes do Instituto Politécnico de Beja – Luís Garcia e João Barros – que fiquei até ao início das sessões.

Microsoft Portugal - João Oliveira  A primeira pessoa a falar foi João Oliveira, Director da Unidade de Negócio de Desenvolvimento e Plataformas, da Microsoft Portugal.
Agradeceu a presença de todos e fez um resumo do que iria ocorrer ao longo da tarde, até às 18 horas.

 

Microsoft EMEA - Mauricio Ulargui 

O segundo interveniente foi Mauricio Ulargui, o espanhol “Academic Director for Microsoft EMEA”; ou seja, o responsável #1 da Microsoft para a relação com a “Academia”, na Europa, no Médio-Oriente e em África (EMEA = Europe Middle-East and Africa). Bill Gates desempenha hoje as mesmas funções, nos EUA.

Ulargui, com um sotaque exótico, falou em inglês sobre o interesse da Microsoft pela educação. Numa só frase, “é um interesse estratégico”. As empresas cujo domínio é apenas suportado pela liderança do seu produto/serviço tendem a ser rapidamente substituidas por outras, mercê dos ciclos de produto e da natureza da inovação.

 Uma empresa pode sustentar uma posição de liderança, por redes de parceriais. Por exemplo, a Microsoft não vende nem suporta directamente os seus produtos: fá-lo por intermédio de parceiros de negócio.
Na Educação, a Microsoft vê nas escolas parceiros que “sabem como” (know-how), mas que podem necessitar de apoios diversos, do financiamento à facilitação no acesso a recursos e contactos com outras organizações.

É essa simbiose Microsoft-ensino, que o programa ITeach objectiva intensificar e elevar, por exemplo, na forma de cursos e materiais de apoio pedagógico.
Outras iniciativas relacionadas são:

http://msdn.microsoft.com/academic/ – developers’ network;
http://imaginecup.com – concursos para estudantes;
http://student-partners.com – programa, para estudantes, mas que não inclui Portugal;
e mais, consultáveis a partir de http://www.microsoft.com/education/.

Universidade de São Paulo - Flávio Silva 

A terceira pessoa a falar foi Flávio Silva. Esta foi a primeira apresentação não-Microsoft.
Flávio Silva falou do problema da “quebra de atractividade dos cursos de Informática e Computação, a nível global”.
Este problema está identificado: na sua escola: “há 3 anos havia 60 candidatos por vaga, agora há menos de 30…”.
A tendência parece ser global: “o mesmo ocorre nos EUA e na Europa”.

Não são compreendidas as causa do fenómeno, aparentemente paradoxal, no contexto de uma sociedade cada vez mais intensa, do ponto de vista da tecnologia, da computação e da automação.

Foi então formulada uma recta de hipóteses explicativas:
- no extremo esquerdo situa-se um desínteresse acentuado dos candidatos pela tecnologia/Informática/automação;
- no extremo direito situa-se uma total desadequação, da forma de ensinar.

Flávio Silva argumentou que as explicações se situarão entre os extremos.

Explicou então como a sua escola tem procurado contrariar a tendência. Basicamente, em vez de fazer “chover” matéria sobre os alunos, primeiro cria-se-lhes a necessidade; isto é, os alunos têm que resolver problemas que lhes façam sentir carências em matérias, comummente associadas a adjectivos como “chatas”, “inúteis” e/ou “difíceis”.
Este esforço tem sido aplicado em licenciaturas e em mestrados, com “algum sucesso”, recorrendo a videojogos: os alunos sentem-se motivados pela vertente lúdica do videojogo e estudam com prazer matérias sem as quais o videojogo não poderia ser concebido, como lógica para inteligência artificial, álgebra para gráficos e física para a credibilidade nos movimentos. 

Depois do intervalo “para café”, falou António Bob Santos, da CNEL (Coordenação Nacional da Estratégia de Lisboa), ou seja a entidade coordenadora do “Plano Tecnológico” para Portugal.

Foi uma apresentação em que o MICrofone não funcionou, prejudicada por algum bla bla de fundo. O tema era de grande interesse: uma aferição de Portugal, em termos de qualificações escolares, relativamente a outros países da Europa, recorrendo a gráficos da UE (União Europeia) a 15 e, outras vezes, a gráficos da UE «alargada».

Para além das qualificações, a aferição abrangeu assuntos relacionáveis, como a penetração da Internet de banda larga.

Sobre estas matérias de Economia do Conhecimento e de Políticas Públicas de Comunicações, este site publica os seguintes recursos:

Internet e Economia do Conhecimento

Tarifa Plana

Os estudos apresentados parecem sugerir uma divergência entre o diagnóstico e a acção: em Portugal, desce o investimento público em educação superior, principalmente quando os cursos têm menos procura. Como muitos cursos com pouca procura são cursos tecnológicos, isto significa uma admissão de “é importante qualificarmos a população para a Economia da Informação”, mas uma decisão de “não há dinheiro para cursos tecnológicos, se não tiverem procura”…

FCT-UNL - Pedro Guerreiro 

Por fim, falou o professor Pedro Guerreiro, da FCT-UNL (Faculdade de Ciências e Tecnologia – Universidade Nova de Lisboa).
Reconhecido como uma pessoa estimulante, sempre esforçada em motivar a audiência, Pedro Guerreiro conversou sobre boas práticas pedagógicas, no ensino de disciplinas como Programação, Fundamentos de Programação e afins. 

Algumas das suas sugestões passam pelo (1) recurso a ferramentas como Moodle (um Course Management System), para a criação de uma comunidade escolar online, e (2) Mooshack (um classificador automático de programas de computador, como certos ou errados, em função das saídas que escrevem para ficheiro, relativamente a um ficheiro de respostas certas).

Também foi recomendada a participação em concursos de programação e apresentado um ranking dos “melhores programadores”, dominado por pessoas de países como Polónia e Rússia…

Não foi discutido o que é um “bom programador”.

 João Oliveira encerraria a sessão, com agradecimentos aos oradores e à assistência.

Foi proveitoso.

Os slides utilizados por cada um dos oradores deverão ser publicados no ITeach.pt.